A ARTE DE VIVER BEM APÓS O CÂNCER DE MAMA – U+

A ARTE DE VIVER BEM APÓS O CÂNCER DE MAMA

23 de outubro de 2019

Conheça projetos brasileiros que apoiam às mulheres com câncer de mama. As iniciativas vão desde resgate da autoestima, difusão de informações sobre direitos e prevenção, alimentação saudável, yogaterapia e empregabilidade.

Por Anelize Moreira, editora de contéudo do Vida Veda

É possível ter qualidade de vida após um diagnóstico de câncer? Há 15 anos, Valéria Baraccat Gyy, 59 anos, tem provado que sim. Quando recebeu o diagnóstico de câncer de mama, a psicóloga e jornalista se deparou com a primeira barreira: falta de informação qualificada e confiável.

Para enfrentar cada etapa do tratamento, ela se tornou uma estudiosa de hábitos saudáveis e aliou a auto-observação para ganhar mais saúde e bem-estar.

“Fui pega de surpresa com diagnóstico de câncer, como tantas são. Sempre tive uma boa alimentação e fazia atividade física, após o diagnóstico, passei a estudar por meio de pesquisas científicas e perceber que poderia fazer mais e passei a fazer mudanças nos meus hábitos. Elas impactaram no meu tratamento e passei a disseminar esses conhecimentos”, conta Valéria.

Além de auxiliar no tratamento, os pilares da saúde, alimentação e movimento podem ajudar na prevenção. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), a prática de atividade física e de alimentação saudável estão associadas a menor risco de desenvolver câncer de mama: cerca de 30% dos casos podem ser evitados quando são adotados esses hábitos.

Foi dessa busca de Valéria que nasceu o Instituto Arte de Viver Bem, com atendimento voltado às mulheres em tratamento de câncer de mama. A instituição divulga informações e apoia mulheres no âmbito jurídico, psicológico e empoderamento feminino.

“Apoiamos pacientes nesse processo gratuitamente via internet e em rodas de conversa, mas também com envio de próteses, sutiãs e oferecendo fisioterapias. É autoestima para além dos lenços, mas como resgate da dignidade e acesso a direitos”, explica a fundadora.

Em 2019, o Brasil deve registrar quase 60 mil novos casos de câncer de mama. É o que aponta o Instituto Nacional de Câncer, órgão ligado ao Ministério da Saúde. Esse é o tipo mais comum entre mulheres de todos os países.

Há 20 anos esse mês é marcado por atividades que acontecem no mundo todo, como conscientização, prevenção e diagnóstico precoce da doença, numa campanha conhecida como Outubro Rosa. Além de iniciativas governamentais em estados e municípios, organizações da sociedade civil têm diferentes frentes de atuação.

Após o diagnóstico, um dos desafios das pacientes é compreender os fatores de risco familiar. Esse ano a ginecologista Fernanda Nunes e endocrinologista Alessandra Rascovski da Casa Consciência, em São Paulo, passaram a oferecer consultas médicas de aconselhamento gratuitas durante o mês de outubro e novembro.

“O paciente que recebe diagnóstico tem a preocupação com a história familiar, se de repente a sua filha ou irmã vão ter um risco aumentado de ter câncer de mama. Se o familiar for de alto risco, é importante começar a fazer exames como a mamografia e a ressonância antes dos 40”, explica a mastologista Fernanda Nunes.

Os interessados podem agendar consulta até o dia 15 de novembro, no site da Casa Consciência. Ela ressalta que quanto mais rápido se acessa o diagnóstico, maior impacto na redução da mortalidade das pacientes. “Se ela chega com nódulo com um ou cinco centímetros, isso faz muita diferença. Quanto menor o tamanho, mais em fase inicial a doença, a paciente é submetida a tratamentos menos invasivos.”, ressalta a ginecologista.

Segundo o Instituto Nacional do Câncer, mulheres que possuem vários casos de câncer de mama e/ou pelo menos um caso de câncer de ovário em parentes consanguíneos podem ter predisposição genética e são consideradas de maior risco para a doença. O caráter hereditário corresponde a apenas 5% a 10% do total de casos.

O autocuidado por meio do autoexame e exames laboratoriais é fundamental para a descoberta da doença em sua fase inicial. O Ministério da Saúde recomenda que mulheres com 50 a 69 anos realizem a mamografia de rotina uma vez a cada dois anos.

Porém, o acesso ao diagnóstico é desigual no Brasil. No Sul e no Sudeste diagnostica-se cerca de 30% dos casos em estágio inicial, enquanto que no Nordeste esse número chega a 12,7%, segundo o Inca.

“Eu trabalho em consultório particular com pacientes que têm condições de fazer desde uma mamografia, ressonância [exames] justamente que ajudam a fazer o diagnóstico precoce, mas trabalho no SUS, elas nem sempre acessam mamografia, muitas vezes até por achar que é um exame doloroso ou porque não tem sintomas”, comenta Fernanda.

Para a ginecologista Priscila Pryrrho, antes dos exames que servem apenas para detectar a doença já manifestada, é importante a prevenção. “A doença se expressa há muito tempo e a gente ignora, seja por meio de um cansaço, uma falta de apetite. Nosso corpo já vai dando sinais de falência muito antes e precisamos trabalhar hábitos de vida, que é tudo que a gente se nutre em todos os sentidos.”

Um dos primeiros passos é mudar a alimentação, segundo sair da zona do sedentarismo e manejo do estresse. “Comer comida de verdade e abandonar os industrializados e processados de forma geral, fazer exercícios, meditação e manejar o estresse que não pode ser ignorado”, conclui Priscila.

https://youtu.be/qcoT7EwDL3Q

Empoderamento feminino

Além dos tratamentos convencionais, práticas de saúde integrativa como yoga tem sido importantes para devolver a qualidade de vida a essas pacientes. Após ter ido para Índia no ano passado, a professora de yoga Denise Barbalho Guirau decidiu que iria atuar com a yogaterapia, técnicas do Hatha Yoga utilizadas para prevenção e que ajudam no tratamento de doenças.

“A yogaterapia pode ajudar as mulheres a se conhecer melhor e a agir de acordo com sua essência, ajudando a retirar padrões nocivos e a plantar padrões construtivos. Ajuda a conectar não apenas o corpo, mente e espírito como também nosso ser a tudo que está a nossa volta, ajudando a compreender que fazemos parte de tudo que está a nosso redor.”

A prática possui contraindicações e deve ser feita sempre com ajuda de um professor para que seja adaptada a cada indivíduo. Esse mês, Denise ofereceu uma aula especial no último dia 15, focada em mulheres com câncer ou que tiveram a doença. Ela oferece as aulas de yogaterapia também na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), na capital paulista, gratuitamente. Interessados e mais detalhes pelo whatssap: 11 99313–7083.

A professora de yoga também realiza um projeto voluntário na Unifesp com adultos e crianças que têm doenças infectocontagiosas, alunos particulares e em grupos.

“O objetivo da yogaterapia para mulheres que têm ou tiveram alguma patologia é mostrar que o yoga pode ser integrado ao tratamento convencional, ajudando inclusive na cura deste paciente e, em alguns casos, utilizados até dentre pacientes terminais. Existem alguns estudos científicos que já comprovam a eficácia da yoga em pacientes que têm e tiveram câncer.”, diz Denise.

Outra frente de empoderamento é garantir a empregabilidade dessas mulheres. É por isso que a Fundação Laço Rosa, instituição de referência no Brasil na articulação de políticas públicas e projetos de conscientização e apoio relacionados à causa do câncer de mama, lançou esse ano a campanha enfatizando a importância da estabilidade empregatícia dessas pacientes pela legislação brasileira.

Foi assim que surgiu a “Contratada”primeira plataforma brasileira de empreendedorismo e emprego para mulheres que passaram pelo câncer de mama.

A Fundação nasceu em 2011, a partir da experiência de Aline Lopes. Em 2007, Aline descobriu um diagnóstico de câncer de mama na sua gravidez e iniciou uma luta contra a doença, passando por mastectomia e sessões de quimioterapia.

A ideia da plataforma é conectar pacientes e empresas socialmente responsáveis, diminuindo barreiras e facilitando, para as pacientes que já venceram a doença, o retorno ao mercado de trabalho, mas também lutar para que as mulheres tenham amparo legal para garantir a estabilidade no emprego para pacientes com câncer.

Um dos projetos pioneiros da instituição sem fins lucrativos é o Banco de Perucas Online, que faz doação gratuita de perucas pela internet para pacientes em quimioterapia e que já atendeu mais de 6 mil pessoas.

 

Conheça cada uma das iniciativas:

http://www.artedeviverbem.org.br/2015/

https://www.casaconsciencia.com.br/

@deniseguirau_uniqueyoga 

https://fundacaolacorosa.com

https://fundacaolacorosa.com/contratada/.

https://www.inca.gov.br/


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